Nos dias 19 e 20 de setembro de 2026, o Museu e Arquivo Antônio Perdigão, em Conselheiro Lafaiete, recebeu a mostra “Originários: outras memórias de Queluz”, realizada pelo Coletivo Indígena Semente Originária.
A exposição reuniu acervos pessoais, obras autorais, objetos, artes, artesanatos e produções contemporâneas de integrantes do coletivo, criando um encontro entre a memória do antigo nome do município, Queluz, e a presença indígena que segue viva na cidade e na região.
A proposta da mostra foi ampliar o olhar sobre a história local, reconhecendo que a memória indígena não pertence apenas ao passado. Ela continua presente nas trajetórias, nos vínculos, nas práticas culturais, nas linguagens artísticas, nas retomadas e nas formas de organização de pessoas indígenas que vivem e atuam em Conselheiro Lafaiete e nos municípios do entorno.
Memória, presença e continuidade
A mostra apresentou parte do acervo pessoal de Kupan Puri, liderança indígena de Conselheiro Lafaiete, além de obras de sua autoria e de outros integrantes do Coletivo Semente Originária.
Entre as peças expostas estiveram pinturas com tintas orgânicas, pinturas a óleo, instrumentos musicais, adornos, objetos de uso, sementes, miçangas, colares, cordões e trabalhos autorais produzidos por integrantes do coletivo.
Esses objetos não foram apresentados apenas como peças materiais. Cada um deles carrega relações, encontros, viagens, aprendizados, trocas e memórias com diferentes povos, territórios e experiências indígenas.
Ao reunir esses elementos no Museu e Arquivo Antônio Perdigão, a mostra também propôs uma reflexão sobre o próprio lugar do arquivo: aquilo que a história oficial registrou, aquilo que silenciou e aquilo que continua vivo para além dos documentos.
Como sintetizou Kupan Puri, “a história indígena segue viva para além do arquivo”.
Seis núcleos de exposição
O percurso expositivo foi organizado em seis núcleos:
- Imagens, memória e representação;
- Som, ritmo e sopro;
- Arco, flecha e objetos;
- Uso, adorno e materialidade;
- Espiritualidade, plantas e cuidado;
- Fazer contemporâneo.
Essa organização permitiu ao público entrar em contato com diferentes dimensões da presença indígena: a imagem, o som, o corpo, o uso cotidiano, a espiritualidade, o cuidado, a arte e a produção cultural contemporânea.
A mostra também destacou que a cultura indígena está presente nas cidades, nas práticas artísticas, na literatura, na retomada linguística e nas formas atuais de criação e transmissão de saberes.
Outras memórias de Queluz
Ao trazer o nome Queluz para o centro da exposição, a mostra convidou o público a olhar para Conselheiro Lafaiete de modo mais amplo.
A história da cidade não pode ser compreendida apenas por uma narrativa oficial. Ela também é formada por presenças indígenas, memórias familiares, apagamentos, resistências e continuidades que precisam ser reconhecidas.
Nesse sentido, “Originários: outras memórias de Queluz” foi mais do que uma exposição artística. Foi também um gesto de afirmação histórica.
A mostra reafirmou que a presença indígena em Conselheiro Lafaiete e região é contemporânea, diversa e atuante. Está nos coletivos, nas famílias, nas criações, nos saberes, nos corpos, nas vozes e nas relações que seguem construindo a vida cultural da cidade.
Realização coletiva
A mostra foi realizada pelo Coletivo Indígena Semente Originária e contou com apoio da Comunidade Krim Orutu.
Criado em 2026, o Coletivo Semente Originária atua no fortalecimento de vínculos, memórias e encontros entre pessoas indígenas de diferentes trajetórias em Conselheiro Lafaiete e região.
Com a realização da mostra, o coletivo deu mais um passo na construção de espaços públicos de visibilidade, escuta e reconhecimento da presença indígena local.
Registro
Atividade: Mostra “Originários: outras memórias de Queluz”
Data: 19 e 20 de setembro de 2026
Local: Museu e Arquivo Antônio Perdigão
Cidade: Conselheiro Lafaiete, Minas Gerais
Realização: Coletivo Indígena Semente Originária
Apoio: Comunidade Krim Orutu
Participação: Kupan Puri e integrantes do Coletivo Semente Originária
Entrada: gratuita
A mostra também foi registrada em veículos de comunicação da região e em publicações nas redes sociais.
Matérias publicadas
- Fato Real: Museu de Lafaiete recebe mostra sobre memória indígena
- Lafaiete Agora: Mostra “Originários” aproxima memória de Queluz e presença indígena contemporânea em Lafaiete
- Correio de Minas: Mostra “Originários” aproxima memória de Queluz e presença indígena contemporânea
