Nos dias 18 e 19 de setembro de 2026, o Coletivo Semente Originária participou da I Conferência Internacional de Saúde Única em Territórios Originários e Tradicionais, realizada na Escola de Veterinária da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em Belo Horizonte.
O encontro reuniu lideranças indígenas, pesquisadoras, pesquisadores, profissionais da saúde, estudantes, coletivos e organizações parceiras para debater a relação entre saúde, território, ancestralidade, espiritualidade, ambiente e modos de vida dos povos originários e comunidades tradicionais.

Do isolamento ao pertencimento
Durante a programação, apresentamos o banner “Do isolamento ao pertencimento: retomada comunitária e bem-viver em contexto indígena urbano”, elaborado por Adalton Costa Faria e Kupan Orutu Puri dos Santos, integrantes do Coletivo Semente Originária, de Conselheiro Lafaiete/MG.
O trabalho compartilha a experiência de organização comunitária vivida por pessoas indígenas e em processo de retomada na região de Conselheiro Lafaiete. Em muitos casos, essas pessoas carregam memórias familiares, registros genealógicos e o desejo de reconstruir vínculos, mas enfrentam a ausência de uma referência comunitária local estruturada.
A partir desse contexto, o coletivo vem construindo espaços de escuta, acolhimento, espiritualidade, memória, agroecologia, cultura, artesanato e fortalecimento dos saberes sagrados. A experiência compreende o isolamento como uma forma contemporânea de apagamento e aponta a retomada comunitária como caminho de pertencimento, cuidado e bem-viver.
Saúde única, território e memória
A participação na conferência reforçou uma compreensão fundamental para o Coletivo Semente Originária: saúde não se separa de território, memória, espiritualidade, cultura e organização comunitária.
No contexto indígena urbano, a ausência de território próprio ainda é um desafio central. Muitas atividades dependem de espaços particulares ou cedidos, enquanto o coletivo busca construir condições mais adequadas para encontros, ações culturais, práticas de cuidado, preservação da memória e fortalecimento da presença indígena contemporânea.
Mesmo diante desses desafios, a experiência tem gerado resultados importantes: fortalecimento da autoestima e do propósito de vida, reconexão com a natureza e com a espiritualidade, elaboração de memórias e traumas familiares, redução do sofrimento ligado ao desenraizamento e ampliação dos vínculos comunitários.
Participação social e incidência pública
O banner também apresentou exemplos de participação social do coletivo em Conselheiro Lafaiete. Entre eles, está o acompanhamento de debates sobre memória indígena no município, com defesa de uma abordagem que reconheça não apenas a presença indígena do passado, mas também a existência e atuação dos povos originários no presente.
Adalton Costa Faria esteve pessoalmente no evento para falar sobre o banner e o trabalho coletivo.
Além disso, o Coletivo Semente Originária tem participado de atividades públicas, encontros, rodas de conversa e articulações institucionais, contribuindo para ampliar o reconhecimento da presença indígena em Conselheiro Lafaiete e região.
Uma experiência em construção
A participação na I Conferência Internacional de Saúde Única em Territórios Originários e Tradicionais foi um momento importante de troca, aprendizado e visibilidade para a caminhada do coletivo.
A experiência apresentada mostra que a organização comunitária pode romper o isolamento, fortalecer vínculos e favorecer o bem-viver em contexto indígena urbano. Para nós, saúde, memória, espiritualidade, participação social e território são dimensões inseparáveis da retomada.
