Semente Originária https://sementeoriginaria.com.br/ Ponto de encontro dos povos originários de Conselheiro Lafaiete e região Wed, 30 Sep 2026 00:04:44 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1.2 Convocação para Assembleia Geral e Eleição da Primeira Diretoria https://sementeoriginaria.com.br/2026/09/29/convocacao-para-assembleia-geral-e-eleicao-da-primeira-diretoria/ https://sementeoriginaria.com.br/2026/09/29/convocacao-para-assembleia-geral-e-eleicao-da-primeira-diretoria/#respond Wed, 30 Sep 2026 00:04:44 +0000 https://sementeoriginaria.com.br/?p=151 Kupan Orutu Puri dos Santos, no uso de suas atribuições iniciais como organizador do movimento de criação, com a orientação jurídica da 3ª Defensoria Pública Especializada em Direitos Humanos, Coletivos e Socioambientais (3ª DPDH), CONVOCA os(as) interessados(as), fundadores(as) e futuros(as) associados(as) para se reunirem em ASSEMBLEIA GERAL VIRTUAL DE CONSTITUIÇÃO E ELEIÇÃO DA PRIMEIRA DIRETORIA, […]

O post Convocação para Assembleia Geral e Eleição da Primeira Diretoria apareceu primeiro em Semente Originária.

]]>
Kupan Orutu Puri dos Santos, no uso de suas atribuições iniciais como organizador do movimento de criação, com a orientação jurídica da 3ª Defensoria Pública Especializada em Direitos Humanos, Coletivos e Socioambientais (3ª DPDH), CONVOCA os(as) interessados(as), fundadores(as) e futuros(as) associados(as) para se reunirem em ASSEMBLEIA GERAL VIRTUAL DE CONSTITUIÇÃO E ELEIÇÃO DA PRIMEIRA DIRETORIA, a ser realizada, em 19/10/2026, às 18h, em primeira convocação, e às 18h30, em segunda convocação, no ambiente virtual, por meio da plataforma “MICROSOFT TEAMS”, conforme instruído em edital, aqui enviado.

Link para o edital: EDITAL DE CONVOCAÇÃO DA ASSEMBLEIA GERAL DE CONSTITUICÃO

O post Convocação para Assembleia Geral e Eleição da Primeira Diretoria apareceu primeiro em Semente Originária.

]]>
https://sementeoriginaria.com.br/2026/09/29/convocacao-para-assembleia-geral-e-eleicao-da-primeira-diretoria/feed/ 0
Kupan Puri publica artigo no Jornal Vila Rica, de Ouro Preto https://sementeoriginaria.com.br/2026/09/23/kupan-puri-publica-artigo-no-jornal-vila-rica-de-ouro-preto/ https://sementeoriginaria.com.br/2026/09/23/kupan-puri-publica-artigo-no-jornal-vila-rica-de-ouro-preto/#respond Wed, 23 Sep 2026 20:00:13 +0000 https://sementeoriginaria.com.br/?p=144 Kupan Puri, integrante do Coletivo Semente Originária, teve um artigo publicado na página 2 do Jornal Vila Rica, de Ouro Preto. Com o título “Minas nasceu para ser minerada?”, o texto propõe uma reflexão crítica sobre a mineração em Minas Gerais, questionando a ideia de que a exploração mineral seria uma “vocação natural” do território […]

O post Kupan Puri publica artigo no Jornal Vila Rica, de Ouro Preto apareceu primeiro em Semente Originária.

]]>
Kupan Puri, integrante do Coletivo Semente Originária, teve um artigo publicado na página 2 do Jornal Vila Rica, de Ouro Preto.

Com o título “Minas nasceu para ser minerada?”, o texto propõe uma reflexão crítica sobre a mineração em Minas Gerais, questionando a ideia de que a exploração mineral seria uma “vocação natural” do território mineiro.

No artigo, Kupan relaciona a história da mineração à formação econômica, social e territorial de Minas, lembrando os impactos deixados desde o período colonial: abertura de caminhos, deslocamento e massacre de comunidades, trabalho escravizado, alteração de rios, supressão de matas e reorganização da vida em torno da extração mineral.

A reflexão também aponta para os desafios do presente. Mesmo com novas tecnologias, normas e formas de operação, a mineração segue influenciando empregos, receitas municipais, contratos, aluguéis, planejamento urbano e os riscos assumidos por comunidades inteiras.

Ao defender que pessoas, águas, nascentes, paisagens, memória, saúde e natureza não podem ser tratados apenas como “impactos” diante do valor econômico do minério, o texto afirma a necessidade de discutir direitos, diversificação econômica e recuperação ambiental em territórios historicamente atravessados pela mineração.


Minas nasceu para ser minerada?

Por Kupan Puri

A mineração não “chegou” a Minas sozinha. Ela trouxe gente aos milhares, abriu caminhos, massacrou comunidades, desviou cursos d’água e alimentou uma economia sustentada por trabalho escravizado.

Apesar de erguer vilas, igrejas e fortunas, a exploração mineral deixou solo remexido, rios alterados e matas abertas. A paisagem de Minas começou a ser redesenhada junto com a economia que nascia ao redor do ouro.

Três séculos depois, a mineração mudou de escala e tecnologia e possui outras regras. Mas ainda permanece a ideia de que, onde há minério, minerar seria o único caminho natural. Em Minas, essa ideia ganhou até uma palavra confortável: vocação.

Quem vive aqui conhece a dependência da mineração por dentro. Ela aparece no salário no fim do mês, no movimento das lojas, nos contratos de prestadores de serviço, nos aluguéis e nas receitas municipais. Só que a palavra vocação merece cuidado. Quando uma atividade econômica vira vocação, ela parece anterior às decisões que a colocaram ali.

O resultado de uma ação minerária não fica restrito à área operacional da empresa. Água, estradas, municípios vizinhos e a vida econômica ao redor também entram na conta.

Me chama a atenção a régua usada para decidir quanto vale um lugar. Quando uma jazida é estudada, a conta começa com números muito objetivos: volume, teor, preço, vida útil, investimento, empregos e arrecadação. Água, solo, paisagem, saúde, deslocamentos, memória e outros usos daquele espaço aparecem depois, quase sempre agrupados sob a palavra impacto.

Antes de medir impacto, temos que rever e garantir direitos. E não só o direito das pessoas que moram na região, como também os direitos da natureza. A ordem importa. Uma nascente que abastece uma comunidade não vale menos porque seu valor é difícil de converter em reais.

Isso não elimina o valor econômico do minério. Apenas impede que ele seja o único valor tratado como concreto.

Há uma outra coisa a se observar: a facilidade de organizar o território a partir do que pode ser retirado dele. Foi assim quando o ouro reorganizou caminhos, trabalho e ocupação. Hoje, o minério continua definindo onde crescem empresas, como municípios planejam receitas, onde pessoas moram e até quais riscos uma região aceita assumir para sustentar sua economia.

O ouro continua fazendo seus escravos, num novo contexto e com imperadores mais sutis.

Reconhecer essa dependência da mineração não obriga ninguém a aceitá-la como permanente. Uma região tão ligada à mineração deveria ser a primeira interessada em discutir diversificação econômica e recuperação ambiental.

Também deveria ser possível dizer que determinadas áreas não devem ser mineradas sem que isso pareça uma afronta à identidade mineira.

Minas tem minério. Isso é um dado geológico. Onde explorá-lo continua sendo uma decisão. Decisão que precisa pôr as pessoas e o meio ambiente à frente do dinheiro.

O post Kupan Puri publica artigo no Jornal Vila Rica, de Ouro Preto apareceu primeiro em Semente Originária.

]]>
https://sementeoriginaria.com.br/2026/09/23/kupan-puri-publica-artigo-no-jornal-vila-rica-de-ouro-preto/feed/ 0
I Conferência Internacional de Saúde Única em Territórios Originários e Tradicionais https://sementeoriginaria.com.br/2026/09/23/conferencia-internacional-saude/ https://sementeoriginaria.com.br/2026/09/23/conferencia-internacional-saude/#respond Wed, 23 Sep 2026 19:05:07 +0000 https://sementeoriginaria.com.br/?p=135 Nos dias 18 e 19 de setembro de 2026, o Coletivo Semente Originária participou da I Conferência Internacional de Saúde Única em Territórios Originários e Tradicionais, realizada na Escola de Veterinária da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em Belo Horizonte. O encontro reuniu lideranças indígenas, pesquisadoras, pesquisadores, profissionais da saúde, estudantes, coletivos e organizações […]

O post I Conferência Internacional de Saúde Única em Territórios Originários e Tradicionais apareceu primeiro em Semente Originária.

]]>
Nos dias 18 e 19 de setembro de 2026, o Coletivo Semente Originária participou da I Conferência Internacional de Saúde Única em Territórios Originários e Tradicionais, realizada na Escola de Veterinária da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em Belo Horizonte.

O encontro reuniu lideranças indígenas, pesquisadoras, pesquisadores, profissionais da saúde, estudantes, coletivos e organizações parceiras para debater a relação entre saúde, território, ancestralidade, espiritualidade, ambiente e modos de vida dos povos originários e comunidades tradicionais.

Do isolamento ao pertencimento

Durante a programação, apresentamos o banner “Do isolamento ao pertencimento: retomada comunitária e bem-viver em contexto indígena urbano”, elaborado por Adalton Costa Faria e Kupan Orutu Puri dos Santos, integrantes do Coletivo Semente Originária, de Conselheiro Lafaiete/MG.

O trabalho compartilha a experiência de organização comunitária vivida por pessoas indígenas e em processo de retomada na região de Conselheiro Lafaiete. Em muitos casos, essas pessoas carregam memórias familiares, registros genealógicos e o desejo de reconstruir vínculos, mas enfrentam a ausência de uma referência comunitária local estruturada.

A partir desse contexto, o coletivo vem construindo espaços de escuta, acolhimento, espiritualidade, memória, agroecologia, cultura, artesanato e fortalecimento dos saberes sagrados. A experiência compreende o isolamento como uma forma contemporânea de apagamento e aponta a retomada comunitária como caminho de pertencimento, cuidado e bem-viver.

Saúde única, território e memória

A participação na conferência reforçou uma compreensão fundamental para o Coletivo Semente Originária: saúde não se separa de território, memória, espiritualidade, cultura e organização comunitária.

No contexto indígena urbano, a ausência de território próprio ainda é um desafio central. Muitas atividades dependem de espaços particulares ou cedidos, enquanto o coletivo busca construir condições mais adequadas para encontros, ações culturais, práticas de cuidado, preservação da memória e fortalecimento da presença indígena contemporânea.

Mesmo diante desses desafios, a experiência tem gerado resultados importantes: fortalecimento da autoestima e do propósito de vida, reconexão com a natureza e com a espiritualidade, elaboração de memórias e traumas familiares, redução do sofrimento ligado ao desenraizamento e ampliação dos vínculos comunitários.

Participação social e incidência pública

O banner também apresentou exemplos de participação social do coletivo em Conselheiro Lafaiete. Entre eles, está o acompanhamento de debates sobre memória indígena no município, com defesa de uma abordagem que reconheça não apenas a presença indígena do passado, mas também a existência e atuação dos povos originários no presente.

Adalton Costa Faria esteve pessoalmente no evento para falar sobre o banner e o trabalho coletivo.

Além disso, o Coletivo Semente Originária tem participado de atividades públicas, encontros, rodas de conversa e articulações institucionais, contribuindo para ampliar o reconhecimento da presença indígena em Conselheiro Lafaiete e região.

Uma experiência em construção

A participação na I Conferência Internacional de Saúde Única em Territórios Originários e Tradicionais foi um momento importante de troca, aprendizado e visibilidade para a caminhada do coletivo.

A experiência apresentada mostra que a organização comunitária pode romper o isolamento, fortalecer vínculos e favorecer o bem-viver em contexto indígena urbano. Para nós, saúde, memória, espiritualidade, participação social e território são dimensões inseparáveis da retomada.

Links relacionados

O post I Conferência Internacional de Saúde Única em Territórios Originários e Tradicionais apareceu primeiro em Semente Originária.

]]>
https://sementeoriginaria.com.br/2026/09/23/conferencia-internacional-saude/feed/ 0
“Originários” aproxima presença indígena contemporânea em Lafaiete https://sementeoriginaria.com.br/2026/09/23/mostra-originarios-aproxima-memoria-de-queluz-e-presenca-indigena-contemporanea-em-lafaiete/ https://sementeoriginaria.com.br/2026/09/23/mostra-originarios-aproxima-memoria-de-queluz-e-presenca-indigena-contemporanea-em-lafaiete/#respond Wed, 23 Sep 2026 18:01:51 +0000 https://sementeoriginaria.com.br/?p=126 Nos dias 19 e 20 de setembro de 2026, o Museu e Arquivo Antônio Perdigão, em Conselheiro Lafaiete, recebeu a mostra “Originários: outras memórias de Queluz”, realizada pelo Coletivo Indígena Semente Originária. A exposição reuniu acervos pessoais, obras autorais, objetos, artes, artesanatos e produções contemporâneas de integrantes do coletivo, criando um encontro entre a memória […]

O post “Originários” aproxima presença indígena contemporânea em Lafaiete apareceu primeiro em Semente Originária.

]]>
Nos dias 19 e 20 de setembro de 2026, o Museu e Arquivo Antônio Perdigão, em Conselheiro Lafaiete, recebeu a mostra “Originários: outras memórias de Queluz”, realizada pelo Coletivo Indígena Semente Originária.

A exposição reuniu acervos pessoais, obras autorais, objetos, artes, artesanatos e produções contemporâneas de integrantes do coletivo, criando um encontro entre a memória do antigo nome do município, Queluz, e a presença indígena que segue viva na cidade e na região.

A proposta da mostra foi ampliar o olhar sobre a história local, reconhecendo que a memória indígena não pertence apenas ao passado. Ela continua presente nas trajetórias, nos vínculos, nas práticas culturais, nas linguagens artísticas, nas retomadas e nas formas de organização de pessoas indígenas que vivem e atuam em Conselheiro Lafaiete e nos municípios do entorno.

Memória, presença e continuidade

A mostra apresentou parte do acervo pessoal de Kupan Puri, liderança indígena de Conselheiro Lafaiete, além de obras de sua autoria e de outros integrantes do Coletivo Semente Originária.

Entre as peças expostas estiveram pinturas com tintas orgânicas, pinturas a óleo, instrumentos musicais, adornos, objetos de uso, sementes, miçangas, colares, cordões e trabalhos autorais produzidos por integrantes do coletivo.

Esses objetos não foram apresentados apenas como peças materiais. Cada um deles carrega relações, encontros, viagens, aprendizados, trocas e memórias com diferentes povos, territórios e experiências indígenas.

Ao reunir esses elementos no Museu e Arquivo Antônio Perdigão, a mostra também propôs uma reflexão sobre o próprio lugar do arquivo: aquilo que a história oficial registrou, aquilo que silenciou e aquilo que continua vivo para além dos documentos.

Como sintetizou Kupan Puri, “a história indígena segue viva para além do arquivo”.

Seis núcleos de exposição

O percurso expositivo foi organizado em seis núcleos:

  • Imagens, memória e representação;
  • Som, ritmo e sopro;
  • Arco, flecha e objetos;
  • Uso, adorno e materialidade;
  • Espiritualidade, plantas e cuidado;
  • Fazer contemporâneo.

Essa organização permitiu ao público entrar em contato com diferentes dimensões da presença indígena: a imagem, o som, o corpo, o uso cotidiano, a espiritualidade, o cuidado, a arte e a produção cultural contemporânea.

A mostra também destacou que a cultura indígena está presente nas cidades, nas práticas artísticas, na literatura, na retomada linguística e nas formas atuais de criação e transmissão de saberes.

Outras memórias de Queluz

Ao trazer o nome Queluz para o centro da exposição, a mostra convidou o público a olhar para Conselheiro Lafaiete de modo mais amplo.

A história da cidade não pode ser compreendida apenas por uma narrativa oficial. Ela também é formada por presenças indígenas, memórias familiares, apagamentos, resistências e continuidades que precisam ser reconhecidas.

Nesse sentido, “Originários: outras memórias de Queluz” foi mais do que uma exposição artística. Foi também um gesto de afirmação histórica.

A mostra reafirmou que a presença indígena em Conselheiro Lafaiete e região é contemporânea, diversa e atuante. Está nos coletivos, nas famílias, nas criações, nos saberes, nos corpos, nas vozes e nas relações que seguem construindo a vida cultural da cidade.

Realização coletiva

A mostra foi realizada pelo Coletivo Indígena Semente Originária e contou com apoio da Comunidade Krim Orutu.

Criado em 2026, o Coletivo Semente Originária atua no fortalecimento de vínculos, memórias e encontros entre pessoas indígenas de diferentes trajetórias em Conselheiro Lafaiete e região.

Com a realização da mostra, o coletivo deu mais um passo na construção de espaços públicos de visibilidade, escuta e reconhecimento da presença indígena local.

Registro

Atividade: Mostra “Originários: outras memórias de Queluz”

Data: 19 e 20 de setembro de 2026

Local: Museu e Arquivo Antônio Perdigão

Cidade: Conselheiro Lafaiete, Minas Gerais

Realização: Coletivo Indígena Semente Originária

Apoio: Comunidade Krim Orutu

Participação: Kupan Puri e integrantes do Coletivo Semente Originária

Entrada: gratuita

A mostra também foi registrada em veículos de comunicação da região e em publicações nas redes sociais.

Matérias publicadas

Publicações no Instagram

O post “Originários” aproxima presença indígena contemporânea em Lafaiete apareceu primeiro em Semente Originária.

]]>
https://sementeoriginaria.com.br/2026/09/23/mostra-originarios-aproxima-memoria-de-queluz-e-presenca-indigena-contemporanea-em-lafaiete/feed/ 0
Semente Originária participa da Semana Municipal dos Direitos Humanos de Conselheiro Lafaiete https://sementeoriginaria.com.br/2026/08/24/semente-originaria-participa-da-semana-municipal-dos-direitos-humanos-de-conselheiro-lafaiete/ https://sementeoriginaria.com.br/2026/08/24/semente-originaria-participa-da-semana-municipal-dos-direitos-humanos-de-conselheiro-lafaiete/#respond Mon, 24 Aug 2026 18:46:41 +0000 https://sementeoriginaria.com.br/?p=91 O Coletivo Semente Originária participa da primeira edição da Semana Municipal dos Direitos Humanos de Conselheiro Lafaiete, realizada entre os dias 25 e 28 de agosto de 2026, com atividades dedicadas ao diálogo, à diversidade, à cidadania e ao enfrentamento das diferentes formas de discriminação. A participação do coletivo acontece em dois momentos da programação. […]

O post Semente Originária participa da Semana Municipal dos Direitos Humanos de Conselheiro Lafaiete apareceu primeiro em Semente Originária.

]]>
O Coletivo Semente Originária participa da primeira edição da Semana Municipal dos Direitos Humanos de Conselheiro Lafaiete, realizada entre os dias 25 e 28 de agosto de 2026, com atividades dedicadas ao diálogo, à diversidade, à cidadania e ao enfrentamento das diferentes formas de discriminação.

A participação do coletivo acontece em dois momentos da programação. O Semente Originária integra a abertura da Semana, no dia 25, junto a outros movimentos sociais e representantes da sociedade civil. No dia 27, Kupan Puri e Sara participam da roda de conversa “Povos Indígenas: território, identidade e o direito de existir”, no Solar Barão do Suaçuí.

Para o Semente Originária, ocupar um espaço municipal de Direitos Humanos com uma discussão específica sobre povos indígenas representa um passo importante para ampliar o reconhecimento da presença indígena contemporânea em Conselheiro Lafaiete e região.

Direitos Humanos também dizem respeito aos povos indígenas

A Semana Municipal dos Direitos Humanos foi instituída pela Lei Municipal nº 6.439/2025 e passou a integrar oficialmente o calendário de Conselheiro Lafaiete.

A legislação prevê ações educativas, culturais e sociais voltadas à valorização da diversidade, ao combate à discriminação e à promoção da dignidade humana, incluindo expressamente os povos indígenas entre os grupos que podem ser contemplados pelas atividades.

A primeira edição reúne movimentos sociais, instituições de ensino, representantes do poder público e sociedade civil em uma programação que aborda diferentes experiências e formas de desigualdade presentes no município.

Para o Semente Originária, a presença indígena dentro dessa programação ajuda a romper com uma dificuldade ainda comum: povos originários serem lembrados principalmente quando se fala sobre o passado, enquanto os direitos das pessoas indígenas que vivem hoje nas cidades permanecem pouco discutidos.

Direitos indígenas também são Direitos Humanos.

E essa discussão não está distante de Conselheiro Lafaiete.

Território, identidade e o direito de existir

Na quinta-feira, 27 de agosto, a programação dedica uma roda de conversa especificamente aos povos indígenas.

Com o tema “Povos Indígenas: território, identidade e o direito de existir”, o encontro contará com a participação de Kupan Puri, liderança do Coletivo Semente Originária, e de Sara.

A atividade também contará com apresentação do livro de Sara Etel.

A escolha do tema permite discutir questões que muitas vezes aparecem separadamente, mas que estão profundamente relacionadas.

Para os povos originários, território não se resume necessariamente à propriedade de uma área de terra. Ele pode envolver memória, relações comunitárias, ancestralidade, formas de cuidado, histórias familiares e modos próprios de construir pertencimento.

A identidade indígena também não desaparece simplesmente porque uma pessoa vive em uma cidade.

Esse é um ponto especialmente importante em regiões como Conselheiro Lafaiete, onde diferentes processos históricos de colonização, mineração, deslocamento populacional e apagamento documental contribuíram para tornar menos visíveis as continuidades indígenas.

Falar sobre o direito de existir, portanto, significa também discutir o direito de uma pessoa ou comunidade não precisar caber em uma imagem estereotipada para que sua presença seja reconhecida.

Os povos indígenas não existem apenas onde a sociedade aprendeu a procurar por eles.

Presença indígena em Conselheiro Lafaiete e região

O Coletivo Semente Originária nasceu justamente da percepção de que existe uma presença indígena na região que ainda precisa ser melhor conhecida, aproximada e considerada nas discussões públicas locais.

Conselheiro Lafaiete exerce uma função de centralidade para diversos municípios do entorno. Pessoas circulam pela cidade para estudar, trabalhar, buscar atendimento de saúde, acessar serviços públicos e realizar atividades comerciais.

Por isso, quando o coletivo fala sobre presença indígena em Lafaiete, a discussão naturalmente alcança também uma realidade regional.

Existem famílias com diferentes histórias, pessoas que mantiveram memórias de ancestralidade dentro de casa, indígenas pertencentes a diferentes povos e trajetórias contemporâneas de fortalecimento comunitário.

O objetivo do Semente Originária não é reduzir todas essas experiências a uma única narrativa.

É justamente o contrário.

É criar espaço para que elas possam aparecer.

Uma discussão que começa a chegar às instituições locais

A participação na Semana Municipal dos Direitos Humanos acontece em um momento de ampliação do diálogo do Semente Originária com instituições de Conselheiro Lafaiete e de Minas Gerais.

Recentemente, representantes do coletivo se reuniram com a Defensoria Pública do Estado de Minas Gerais para conversar sobre a realidade indígena da cidade e da região e discutir possíveis caminhos de atuação.

O coletivo também vem dialogando sobre memória indígena, políticas públicas, cultura, meio ambiente e formas de tornar mais visível uma presença que durante muito tempo apareceu pouco nos espaços institucionais locais.

Kupan Puri, por sua vez, tem participado de outras articulações relacionadas aos povos originários, entre elas encontro do povo Puri com a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), consulta pública do Ministério da Cultura sobre proteção dos conhecimentos tradicionais e atividades do 3º Fórum Brasileiro dos Direitos da Natureza, realizado em Ouro Preto e Mariana.

Trazer essa experiência para uma atividade realizada em Conselheiro Lafaiete ajuda a aproximar discussões nacionais e estaduais da realidade concreta do município.

Uma Semana construída por diferentes vozes

A programação da Semana Municipal dos Direitos Humanos não se limita à pauta indígena.

Durante quatro dias, diferentes grupos e movimentos participam de atividades relacionadas a saúde mental da juventude, população negra, diversidade, mulheridade, população LGBTQIA+ e outras dimensões dos Direitos Humanos.

A abertura, no dia 25 de agosto, reúne movimentos como AMUPD, Alforria, Ideias Coloridas, Kurumi, Semente Originária e Yandê, além de representantes do poder público e da sociedade civil.

A proposta de reunir diferentes experiências é importante porque não existe uma única forma de vivenciar desigualdade, preconceito ou ausência de políticas públicas.

Também não existe uma única resposta possível.

Construir uma cidade mais justa exige que pessoas historicamente pouco ouvidas possam participar das conversas que ajudam a definir prioridades e políticas.

O indígena também é cidadão desta cidade

Para o Semente Originária, participar da Semana Municipal dos Direitos Humanos possui também um significado simples, mas necessário.

A pessoa indígena que vive em Conselheiro Lafaiete é parte de Conselheiro Lafaiete.

Ela utiliza os serviços públicos da cidade.

Frequenta suas escolas.

Trabalha.

Forma família.

Produz cultura.

Participa da vida comunitária.

E possui o direito de ver sua existência considerada quando o município discute cidadania, educação, cultura, saúde, memória e políticas públicas.

Reconhecer a presença indígena contemporânea não significa criar uma separação entre indígenas e o restante da cidade.

Significa fazer com que uma parte da população que muitas vezes permaneceu invisível também possa participar da construção coletiva desse espaço.

A Semana Municipal dos Direitos Humanos oferece mais uma oportunidade para que essa conversa aconteça.

E o Semente Originária estará presente nela.


Sobre a participação

Evento: Semana Municipal dos Direitos Humanos de Conselheiro Lafaiete

Datas: 25 a 28 de agosto de 2026

Participação do coletivo: Coletivo Semente Originária

Abertura: 25 de agosto, às 18h30, no Solar Barão do Suaçuí

Roda sobre povos indígenas: 27 de agosto, às 18h30

Tema: “Povos Indígenas: território, identidade e o direito de existir”

Participantes: Kupan Puri e Sara

Local da roda: Solar Barão do Suaçuí, Conselheiro Lafaiete

Base legal: Lei Municipal nº 6.439/2025

Temas relacionados: Direitos Humanos, povos indígenas, território, identidade, presença indígena contemporânea, cidadania e políticas públicas

Registro na imprensa: Correio da Cidade — Semana Municipal dos Direitos Humanos promove diálogo, cultura e cidadania em Conselheiro Lafaiete

Lei Municipal: Lei nº 6.439/2025 — Semana Municipal dos Direitos Humanos

Registro da participação

  • Evento: primeira Semana Municipal dos Direitos Humanos de Conselheiro Lafaiete.
  • Período: 25 a 28 de agosto de 2026.
  • Participação do coletivo: abertura da Semana, em 25 de agosto, e roda “Povos Indígenas: território, identidade e o direito de existir”, em 27 de agosto.
  • Participantes citados: Kupan Puri, Sara e representantes de movimentos sociais e instituições locais.

Articulações relacionadas

O post Semente Originária participa da Semana Municipal dos Direitos Humanos de Conselheiro Lafaiete apareceu primeiro em Semente Originária.

]]>
https://sementeoriginaria.com.br/2026/08/24/semente-originaria-participa-da-semana-municipal-dos-direitos-humanos-de-conselheiro-lafaiete/feed/ 0
Semente Originária participa de debates e do Sarau Pachamama no 3º Fórum Brasileiro dos Direitos da Natureza https://sementeoriginaria.com.br/2026/08/24/semente-originaria-participa-de-debates-e-do-sarau-pachamama-no-3o-forum-brasileiro-dos-direitos-da-natureza/ https://sementeoriginaria.com.br/2026/08/24/semente-originaria-participa-de-debates-e-do-sarau-pachamama-no-3o-forum-brasileiro-dos-direitos-da-natureza/#respond Mon, 24 Aug 2026 18:27:50 +0000 https://sementeoriginaria.com.br/?p=88 Kupan Puri, liderança do Coletivo Semente Originária, participou do 3º Fórum Brasileiro dos Direitos da Natureza, realizado entre Ouro Preto e Mariana, em Minas Gerais, entre 31 de julho e 2 de agosto de 2026. Sua participação aconteceu em diferentes momentos do encontro. Ao longo do Fórum, Kupan esteve presente em rodas de conversa e […]

O post Semente Originária participa de debates e do Sarau Pachamama no 3º Fórum Brasileiro dos Direitos da Natureza apareceu primeiro em Semente Originária.

]]>
Kupan Puri, liderança do Coletivo Semente Originária, participou do 3º Fórum Brasileiro dos Direitos da Natureza, realizado entre Ouro Preto e Mariana, em Minas Gerais, entre 31 de julho e 2 de agosto de 2026.

Sua participação aconteceu em diferentes momentos do encontro. Ao longo do Fórum, Kupan esteve presente em rodas de conversa e espaços de diálogo, especialmente aqueles dedicados aos povos originários, aos saberes ancestrais e aos Direitos da Natureza. Na noite de 1º de agosto, participou também como artista Puri do Sarau Pachamama, atividade cultural que integrou a programação oficial do evento.

A presença nesses dois espaços — o debate e a arte — dialoga diretamente com uma das propostas centrais do Fórum: aproximar saberes indígenas, comunitários, científicos e jurídicos na construção de outras formas de compreender a relação entre sociedade, território e Natureza.

Um encontro nacional em território marcado pela mineração

O 3º Fórum Brasileiro dos Direitos da Natureza reuniu lideranças indígenas, comunidades tradicionais, movimentos sociais, pesquisadores, juristas, educadores, artistas, representantes do poder público e organizações da sociedade civil.

O encontro aconteceu em Ouro Preto e Mariana, cidades cuja história e realidade contemporânea tornam especialmente concreta a discussão sobre território, mineração, água e justiça socioambiental.

A edição de 2026 teve como eixo o fortalecimento de redes para o enfrentamento às mudanças climáticas e a construção de caminhos para o reconhecimento da Natureza como sujeito de direitos.

A Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) esteve entre as instituições envolvidas no evento, que reuniu diferentes iniciativas e organizações ligadas aos Direitos da Natureza.

Mais do que uma sequência de palestras, a programação foi estruturada para promover escuta, participação e troca entre diferentes formas de conhecimento.

O Fórum colocou entre seus temas a presença das comunidades originárias e tradicionais e o diálogo dessas vozes com a academia, o poder público e outros setores da sociedade.

Povos originários no centro da conversa

Além das atividades culturais, Kupan participou de rodas, círculos e conversas realizadas durante o encontro, com atenção especial às discussões relacionadas aos povos originários e aos Direitos da Natureza.

A programação reservou parte significativa do encontro aos chamados Círculos Temáticos, nos quais diferentes perspectivas puderam ser colocadas em diálogo.

Entre os assuntos discutidos estavam o Direito Ancestral Comunitário, práticas comunitárias diante das mudanças climáticas, modos de ser e viver dos povos, conhecimentos tradicionais e novas formas de relação com rios, serras, florestas e outros seres.

Para Kupan, participar desses espaços significa também inserir perspectivas indígenas em uma discussão que muitas vezes é apresentada apenas como ambiental ou jurídica.

Para muitos povos originários, território e Natureza não aparecem simplesmente como objetos externos à vida humana.

Rios, matas, montanhas, animais e outros seres podem integrar relações de memória, espiritualidade, cuidado, continuidade e pertencimento.

Por isso, discutir os Direitos da Natureza sem ouvir os povos que construíram durante gerações outras maneiras de se relacionar com esses territórios seria deixar de fora uma parte fundamental da conversa.

Quando a Natureza deixa de ser vista apenas como recurso, também muda a pergunta sobre quem pode decidir o que fazer com ela.

Direito Ancestral e outras formas de compreender o mundo

Uma das características do Fórum foi justamente a tentativa de colocar diferentes formas de conhecimento em diálogo.

A programação incluiu debates jurídicos e científicos, mas também espaços dedicados ao Direito Ancestral Comunitário, aos saberes territoriais, ao Bem Viver e às experiências de povos e comunidades tradicionais.

Essa abertura é especialmente importante em uma discussão sobre os Direitos da Natureza.

A ideia de reconhecer rios, serras, florestas ou outros entes naturais como sujeitos de direitos ainda parece nova para parte do direito ocidental.

Para diferentes cosmologias indígenas, porém, a própria separação rígida entre seres humanos e o restante da Natureza pode não fazer sentido da mesma maneira.

Isso não significa afirmar que todos os povos indígenas pensam da mesma forma.

Não existe uma única cosmologia indígena.

Cada povo possui sua própria história, suas experiências e suas formas de compreender as relações entre os diferentes seres.

Reconhecer essa diversidade é também evitar que os povos originários sejam transformados em uma imagem genérica de “guardiões da natureza”.

O que está em questão é garantir que essas diferentes formas de conhecimento também tenham lugar na construção das respostas para a crise ambiental contemporânea.

Mariana dá outra dimensão a essa discussão

Debater Direitos da Natureza em Mariana não é apenas uma escolha geográfica.

A cidade e seu entorno carregam as consequências de um dos maiores desastres socioambientais da história brasileira, além de uma relação secular com a mineração e com a transformação das paisagens de Minas Gerais.

Isso faz com que temas como rios, montanhas, reparação, território e direito deixem de existir apenas no campo teórico.

São discussões que atravessam comunidades e vidas reais.

Para o Coletivo Semente Originária, sediado em Conselheiro Lafaiete, essa reflexão encontra também uma realidade próxima.

A região onde Lafaiete está inserida é profundamente marcada pela mineração e por transformações históricas dos territórios, das águas e das serras.

Participar do Fórum foi, portanto, também uma oportunidade de aproximar debates mais amplos de questões vividas em Minas Gerais.

Da roda de conversa para o Sarau Pachamama

No dia 1º de agosto, a programação se estendeu até a noite com o Sarau Pachamama.

A atividade aconteceu depois de um dia marcado por vivências, círculos temáticos, apresentações, debates e outras atividades do Fórum.

Foi nesse espaço que Kupan participou como artista Puri.

Sua presença no Sarau acrescentou outra linguagem ao que vinha sendo discutido durante o dia.

Nem toda reflexão sobre território, ancestralidade ou continuidade precisa acontecer em uma mesa formal.

Algumas coisas também são transmitidas pela música.

A arte indígena contemporânea é parte dessa presença.

Ela não existe apenas para reproduzir imagens antigas ou apresentar ao público uma representação congelada dos povos originários.

Indígenas continuam criando, compondo, escrevendo, tocando e produzindo cultura no presente.

A participação de Kupan no Sarau Pachamama aconteceu dentro desse lugar: como artista Puri em um espaço de encontro entre arte, território, ancestralidade e Direitos da Natureza.

Uma presença Puri que não pertence ao passado

A participação no Fórum também se soma a um processo mais amplo de fortalecimento da presença contemporânea do povo Puri.

Durante muito tempo, os Puri apareceram em parte da historiografia brasileira principalmente como personagens de um passado colonial.

Essa maneira de contar a história contribuiu para a ideia equivocada de desaparecimento.

Mas há pessoas Puri vivendo hoje.

Há famílias, organizações, produção cultural e intelectual, trabalhos com memória e língua, articulação por direitos e artistas produzindo no presente.

A participação de Kupan no Fórum, tanto nas rodas de conversa quanto no Sarau Pachamama, integra essa continuidade.

Do Semente Originária para outros espaços de diálogo

Como liderança do Coletivo Semente Originária, em Conselheiro Lafaiete, Kupan vem participando de diferentes iniciativas ligadas à presença indígena contemporânea, cultura, políticas públicas e direitos.

Nos últimos meses, essa caminhada passou também por consulta pública promovida pelo Ministério da Cultura sobre proteção dos conhecimentos tradicionais, por articulações do povo Puri junto à Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e por diálogos institucionais construídos em Minas Gerais.

O Fórum Brasileiro dos Direitos da Natureza acrescentou uma dimensão particularmente importante a essa trajetória.

Nele, a discussão sobre povos originários encontrou diretamente a discussão sobre território e Natureza.

E, no mesmo espaço, a palavra encontrou a música.

Para o Semente Originária, essas dimensões não precisam caminhar separadas.

Direitos, território, memória, cultura e Natureza fazem parte da mesma vida.


Sobre a participação

Evento: 3º Fórum Brasileiro dos Direitos da Natureza

Participação: Kupan Puri, liderança do Coletivo Semente Originária

Atuação: participação em rodas e espaços de diálogo, especialmente sobre povos originários e Direitos da Natureza, além de apresentação artística no Sarau Pachamama

Datas: 31 de julho a 2 de agosto de 2026

Local: Ouro Preto e Mariana, Minas Gerais

Sarau Pachamama: 1º de agosto de 2026

Temas: Direitos da Natureza, povos indígenas, conhecimentos ancestrais, território, mudanças climáticas, cultura, arte e justiça socioambiental

Site oficial: Fórum Brasileiro dos Direitos da Natureza

Programação oficial: Programação do 3º Fórum Brasileiro dos Direitos da Natureza

Registro no Sarau: Kupan Puri no Sarau Pachamama

Registro da participação

  • Evento: 3º Fórum Brasileiro dos Direitos da Natureza.
  • Locais: Ouro Preto e Mariana, Minas Gerais.
  • Período: 31 de julho a 2 de agosto de 2026.
  • Participação: Kupan Puri em debates, círculos temáticos e no Sarau Pachamama, em 1º de agosto.

Articulações relacionadas

O post Semente Originária participa de debates e do Sarau Pachamama no 3º Fórum Brasileiro dos Direitos da Natureza apareceu primeiro em Semente Originária.

]]>
https://sementeoriginaria.com.br/2026/08/24/semente-originaria-participa-de-debates-e-do-sarau-pachamama-no-3o-forum-brasileiro-dos-direitos-da-natureza/feed/ 0
Semente Originária se reúne com Defensoria Pública de Minas Gerais https://sementeoriginaria.com.br/2026/08/24/semente-originaria-se-reune-com-defensoria-publica-de-minas-gerais/ https://sementeoriginaria.com.br/2026/08/24/semente-originaria-se-reune-com-defensoria-publica-de-minas-gerais/#respond Mon, 24 Aug 2026 18:13:38 +0000 https://sementeoriginaria.com.br/?p=85 O coletivo Semente Originária participou em agosto de 2026 de reunião com a Defensoria Pública do Estado de Minas Gerais (DPMG) para apresentar a realidade da presença indígena em Conselheiro Lafaiete e municípios da região. O encontro abriu um espaço de diálogo sobre os desafios enfrentados por indígenas que vivem nas cidades, a necessidade de […]

O post Semente Originária se reúne com Defensoria Pública de Minas Gerais apareceu primeiro em Semente Originária.

]]>
O coletivo Semente Originária participou em agosto de 2026 de reunião com a Defensoria Pública do Estado de Minas Gerais (DPMG) para apresentar a realidade da presença indígena em Conselheiro Lafaiete e municípios da região.

O encontro abriu um espaço de diálogo sobre os desafios enfrentados por indígenas que vivem nas cidades, a necessidade de ampliar o reconhecimento dessa presença e possíveis caminhos de atuação institucional a partir das demandas identificadas pelo coletivo.

A reunião contou com a participação da defensora pública Ana Cláudia da Silva Alexandre Storch, que possui atuação na área de Direitos Humanos, Coletivos e Socioambientais, além de Helquemara Fátima Daniel.

Para o Semente Originária, a conversa representa um passo importante na construção de uma rede capaz de aproximar a realidade vivida pelas pessoas indígenas da região das instituições responsáveis pela promoção e defesa de direitos.

Uma presença indígena que também está nas cidades

Quando se fala sobre povos indígenas no Brasil, ainda é comum que grande parte da população imagine uma realidade distante dos centros urbanos.

Essa imagem, porém, não representa toda a diversidade indígena contemporânea.

Indígenas vivem também em cidades, estudam, trabalham, formam famílias, participam da vida pública e mantêm diferentes formas de relação com seus povos, suas comunidades, suas memórias e seus territórios.

Em Conselheiro Lafaiete e nos municípios próximos, essa presença nem sempre aparece de maneira clara nos discursos públicos ou nas políticas locais.

Foi a partir dessa percepção que surgiu o Coletivo Semente Originária: como espaço de encontro, aproximação e fortalecimento para indígenas de diferentes trajetórias que vivem na região.

O coletivo é multiétnico e não pretende representar sozinho toda a diversidade dos povos originários presentes no território. Seu trabalho parte das pessoas e experiências que vêm construindo o grupo e da necessidade concreta de tornar essa presença mais visível.

Da memória aos direitos

Uma parte importante dessa caminhada está relacionada à memória.

A história indígena de Minas Gerais é frequentemente apresentada como algo pertencente ao período colonial ou a regiões específicas do estado. Esse enquadramento pode produzir uma falsa impressão de desaparecimento.

Na prática, famílias indígenas atravessaram diferentes processos de deslocamento, violência, miscigenação, dispersão e apagamento documental sem que isso significasse simplesmente o fim de suas histórias.

Hoje, pessoas e famílias percorrem caminhos diversos de reconhecimento, aproximação comunitária e fortalecimento de pertencimento.

Mas memória e pertencimento não são apenas assuntos culturais.

Eles encontram questões concretas relacionadas a direitos, acesso a políticas públicas, combate ao preconceito, registros adequados nos serviços públicos e reconhecimento da presença indígena contemporânea.

Foi justamente essa passagem entre memória e vida concreta que esteve no centro do diálogo com a Defensoria Pública.

O papel da Defensoria Pública

A Defensoria Pública de Minas Gerais possui entre suas áreas de atuação a proteção de direitos humanos, coletivos e socioambientais, o que torna a instituição uma interlocutora importante para comunidades e grupos que enfrentam situações de vulnerabilidade ou violações de direitos.

No encontro, representantes do Semente Originária puderam apresentar questões percebidas na realidade de Conselheiro Lafaiete e região e conversar sobre possibilidades para os próximos passos.

A reunião não significou a criação automática de uma política pública ou a solução imediata das questões apresentadas.

Seu primeiro resultado foi outro, igualmente necessário: abrir um canal institucional de diálogo.

Antes de construir respostas, é preciso que a presença indígena da região seja vista, ouvida e compreendida também pelas instituições.

Conselheiro Lafaiete como parte dessa história

Para Kupan Puri, discutir a presença indígena contemporânea em Conselheiro Lafaiete exige olhar para a cidade não como um ponto isolado, mas como parte de uma região marcada historicamente pela circulação de diferentes povos, pela colonização, pela mineração e por profundas transformações territoriais.

Lafaiete também exerce hoje uma função de centralidade regional.

Pessoas de diferentes municípios circulam pela cidade para trabalhar, estudar, buscar atendimento de saúde, acessar serviços públicos e realizar atividades comerciais.

Por isso, construir espaços de diálogo sobre a população indígena local significa pensar não apenas nos limites administrativos do município, mas também na realidade das cidades que se relacionam diariamente com ele.

É nesse contexto que o Semente Originária pretende atuar.

Não para criar uma narrativa única sobre quem são os indígenas da região, mas para permitir que diferentes histórias possam aparecer e que as pessoas encontrem caminhos para se aproximar umas das outras.

Uma rede começa a ser construída

A conversa com a Defensoria Pública faz parte de uma sequência de articulações que vêm sendo realizadas por integrantes do coletivo e por Kupan Puri em diferentes espaços.

Esses diálogos incluem instituições públicas, organizações indígenas, atividades culturais e espaços de discussão sobre direitos humanos e políticas voltadas aos povos originários.

Cada encontro possui um objetivo próprio.

Mas eles compartilham uma mesma questão de fundo: a presença indígena não pode ser reconhecida apenas quando aparece nos livros de história.

Ela precisa ser considerada também nas decisões tomadas hoje.

Para o Semente Originária, isso significa construir relações com instituições sem abrir mão da autonomia do próprio coletivo e das pessoas que dele participam.

Significa também transformar uma presença muitas vezes percebida apenas no âmbito familiar em uma possibilidade de encontro comunitário.

Próximos passos

A partir da reunião, o Coletivo Semente Originária e a Defensoria Pública começaram a discutir caminhos que possam contribuir para fortalecer a presença indígena na região e aproximar as demandas identificadas pelo grupo dos instrumentos institucionais existentes.

Esse processo ainda está no começo.

O próprio Semente Originária também está em construção e pretende amadurecer suas formas de atuação conforme novas pessoas se aproximem, outras histórias sejam conhecidas e novas necessidades apareçam.

Há, porém, algo que já pode ser afirmado.

Os povos indígenas não pertencem somente ao passado de Conselheiro Lafaiete e de Minas Gerais.

Há indígenas vivendo a cidade hoje.

Reconhecer essa presença é um dos primeiros passos para que direitos, memória e participação pública possam caminhar juntos.

Sobre o encontro

Participação: Coletivo Semente Originária e Defensoria Pública do Estado de Minas GeraisLocalidade abordada: Conselheiro Lafaiete e regiãoTemas: presença indígena contemporânea, direitos, políticas públicas, reconhecimento, memória e articulação institucionalPeríodo: agosto de 2026

Registro da articulação

  • Atividade: reunião institucional com a Defensoria Pública do Estado de Minas Gerais.
  • Período: agosto de 2026.
  • Pauta: presença indígena em Conselheiro Lafaiete e região, direitos humanos, políticas públicas e abertura de diálogo institucional.
  • Participantes citadas no registro: defensora pública Ana Cláudia da Silva Alexandre Storch e Helquemara Fátima Daniel, além de representantes do coletivo.

Articulações relacionadas

O post Semente Originária se reúne com Defensoria Pública de Minas Gerais apareceu primeiro em Semente Originária.

]]>
https://sementeoriginaria.com.br/2026/08/24/semente-originaria-se-reune-com-defensoria-publica-de-minas-gerais/feed/ 0
Liderança Local participa de reunião entre Tuatuna e Funai sobre direitos e presença Puri https://sementeoriginaria.com.br/2026/08/24/lideranca-local-de-reuniao-entre-tuatuna-e-funai-sobre-direitos-e-presenca-puri/ https://sementeoriginaria.com.br/2026/08/24/lideranca-local-de-reuniao-entre-tuatuna-e-funai-sobre-direitos-e-presenca-puri/#respond Mon, 24 Aug 2026 18:07:32 +0000 https://sementeoriginaria.com.br/?p=81 Kupan Puri, liderança do Coletivo Semente Originária e integrante da organização indígena Tuatuna, participou de reunião com representantes da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) voltada ao diálogo sobre a presença contemporânea e os direitos do povo Puri. O encontro foi realizado pelo Tuatuna junto à Coordenação Regional Litoral Sudeste da Funai, responsável pela atuação […]

O post Liderança Local participa de reunião entre Tuatuna e Funai sobre direitos e presença Puri apareceu primeiro em Semente Originária.

]]>
Kupan Puri, liderança do Coletivo Semente Originária e integrante da organização indígena Tuatuna, participou de reunião com representantes da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) voltada ao diálogo sobre a presença contemporânea e os direitos do povo Puri.

O encontro foi realizado pelo Tuatuna junto à Coordenação Regional Litoral Sudeste da Funai, responsável pela atuação da Fundação nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro.

Durante a reunião, integrantes da organização apresentaram parte do trabalho desenvolvido junto à comunidade Puri e conversaram sobre dificuldades enfrentadas por indígenas que vivem em contexto urbano, especialmente no acesso a políticas públicas, registros adequados nos sistemas governamentais e reconhecimento de sua identidade nos serviços públicos.

A participação de Kupan nesse encontro integra uma atuação que atravessa diferentes espaços: de um lado, a organização comunitária Puri; de outro, a construção local do Coletivo Semente Originária em Conselheiro Lafaiete e região.

Um povo presente, não uma história encerrada

Um dos pontos centrais discutidos na reunião foi a maneira como o povo Puri ainda aparece em parte das narrativas históricas brasileiras.

Durante muito tempo, documentos, estudos e discursos públicos trataram os Puri como um povo extinto ou restrito ao passado colonial.

Essa leitura não corresponde à realidade contemporânea.

Famílias Puri mantiveram memórias, vínculos, práticas, histórias e formas de pertencimento mesmo depois de séculos de violência, dispersão territorial e apagamento documental.

Hoje, essa presença também aparece nos registros oficiais do país.

O Censo Demográfico de 2022 contabilizou 1.290 pessoas indígenas pertencentes ao povo Puri no Brasil, número superior aos registros identificados no Censo anterior.

Mais do que uma estatística, esses dados ajudam a romper com uma ideia ainda recorrente: a de que os Puri teriam desaparecido.

A reunião com a Funai partiu justamente do reconhecimento dessa continuidade.

O Estado não decide se um povo existe

Outro tema discutido foi a relação entre identidade indígena, comunidade e poder público.

Para as organizações presentes, é necessário distinguir duas coisas que muitas vezes aparecem misturadas no atendimento público.

O Estado possui responsabilidade de registrar, atender e garantir direitos.

Isso não significa que seja o Estado quem determina a existência de um povo ou concede identidade indígena às pessoas.

A própria Funai reconhece que o pertencimento étnico se relaciona à autodeclaração e ao reconhecimento comunitário, não à emissão de uma espécie de certificado individual pelo Estado.

Essa diferença tem consequências práticas.

Quando uma pessoa Puri busca atendimento no SUS, no Cadastro Único ou em outro serviço público, por exemplo, sua identidade precisa poder ser registrada adequadamente — e não submetida à ideia de que seria necessária uma autorização estatal para que esse pertencimento exista.

Para Kupan, essa mudança de perspectiva é especialmente importante para povos que atravessaram longos processos de apagamento.

Reconhecer a presença Puri contemporânea não significa recriar um povo que desapareceu.

Significa reconhecer uma continuidade que permaneceu viva mesmo quando documentos oficiais deixaram de registrá-la adequadamente.

Políticas públicas e vida cotidiana

A conversa com a Funai também passou por questões concretas enfrentadas por indígenas em contexto urbano.

O Tuatuna apresentou dificuldades encontradas por famílias e pessoas Puri em processos administrativos e no acesso a políticas públicas, além do trabalho desenvolvido para orientar a comunidade diante dessas situações.

Cadastros públicos podem parecer questões burocráticas menores, mas possuem impacto direto.

Eles influenciam a forma como o Estado identifica populações, produz estatísticas, planeja políticas e organiza determinados atendimentos.

Quando uma etnia não aparece corretamente nesses registros, uma parte de sua presença também se torna invisível para a administração pública.

Por isso, o fortalecimento da presença Puri passa não apenas pela memória e pela cultura, mas também por uma dimensão aparentemente simples: poder dizer o próprio nome e vê-lo registrado corretamente.

A língua Puri também entrou no diálogo

A língua Puri foi outro tema presente na conversa.

Nas últimas décadas, diferentes indígenas Puri vêm trabalhando na recuperação, estudo, ensino e circulação de palavras e registros históricos da língua, construindo novas formas de relação com um patrimônio linguístico profundamente afetado pelo processo colonial.

Durante a reunião, também houve espaço para dialogar sobre caminhos de fortalecimento da memória linguística e de produção de materiais voltados ao próprio povo.

Para Kupan, língua, memória e pertencimento não aparecem como assuntos separados.

A língua guarda formas de nomear o mundo, relações com território, memória ancestral e modos próprios de compreender a existência.

Fortalecê-la é também fortalecer caminhos de continuidade.

Do Tuatuna ao Semente Originária

A participação de Kupan na reunião aconteceu dentro da atuação do Tuatuna, organização indígena voltada ao acolhimento, à memória, ao pertencimento, à continuidade cultural e aos direitos do povo Puri.

Ao mesmo tempo, essa experiência dialoga diretamente com o trabalho desenvolvido pelo Coletivo Semente Originária, em Conselheiro Lafaiete.

O Semente tem buscado criar caminhos de organização para indígenas que vivem na região, aproximar pessoas e famílias, fortalecer memórias locais e construir interlocução com instituições públicas.

Essa realidade ajuda também a mostrar que a presença indígena contemporânea não está restrita às terras indígenas ou às regiões tradicionalmente lembradas quando se fala em povos originários.

Ela está também nas cidades.

Está em São Paulo.

Está no Rio de Janeiro.

Está em Minas Gerais.

Está em Conselheiro Lafaiete e nas cidades ao redor.

Os caminhos podem ser diferentes, mas uma questão permanece comum: povos indígenas precisam ser reconhecidos no presente e participar diretamente das decisões que dizem respeito às suas próprias vidas.

Fortalecer, em vez de desaparecer e reaparecer

Uma palavra ganhou importância nesse processo: fortalecimento.

Ela evita a ideia de que o povo Puri precise “ressurgir” para voltar a existir.

O que acontece hoje é outra coisa.

Famílias voltam a se encontrar.

Memórias antes preservadas dentro de casas passam a circular coletivamente.

Pessoas encontram outras pessoas que compartilham histórias semelhantes.

A língua ganha novos espaços.

O nome Puri reaparece nos registros públicos.

Organizações indígenas ocupam mesas de diálogo institucional.

E uma presença que nunca deixou de existir começa a se tornar mais visível.

A reunião com a Funai foi mais um desses passos.

Não como autorização para existir, mas como diálogo entre o Estado e um povo que continua aqui.

Sobre o encontro

Organização: TuatunaÓrgão: Fundação Nacional dos Povos Indígenas — FunaiUnidade: Coordenação Regional Litoral SudesteTemas: povo Puri, políticas públicas, pertencimento, registros públicos, direitos indígenas, memória e língua Puri

Registro do encontro: Tuatuna — reunião com a Funai em defesa do povo Puri

Registro da articulação

  • Atividade: reunião institucional entre a organização indígena Tuatuna e a Coordenação Regional Litoral Sudeste da Funai.
  • Pauta: direitos, políticas públicas, registros administrativos, língua e presença contemporânea do povo Puri.
  • Participação: Kupan Puri, integrante do Tuatuna e liderança do Coletivo Semente Originária.

Articulações relacionadas

O post Liderança Local participa de reunião entre Tuatuna e Funai sobre direitos e presença Puri apareceu primeiro em Semente Originária.

]]>
https://sementeoriginaria.com.br/2026/08/24/lideranca-local-de-reuniao-entre-tuatuna-e-funai-sobre-direitos-e-presenca-puri/feed/ 0
Kupan Puri participa de consulta do Ministério da Cultura sobre proteção dos saberes tradicionais https://sementeoriginaria.com.br/2026/08/24/kupan-puri-participa-de-consulta-do-ministerio-da-cultura-sobre-protecao-dos-saberes-tradicionais/ https://sementeoriginaria.com.br/2026/08/24/kupan-puri-participa-de-consulta-do-ministerio-da-cultura-sobre-protecao-dos-saberes-tradicionais/#respond Mon, 24 Aug 2026 17:59:53 +0000 https://sementeoriginaria.com.br/?p=75 Kupan Puri, liderança do Coletivo Semente Originária, participou em Belo Horizonte da consulta pública promovida pelo Ministério da Cultura (MinC) para discutir a construção de um marco legal de proteção dos conhecimentos tradicionais, das expressões culturais tradicionais e das expressões da cultura popular. A etapa mineira da consulta aconteceu no Complexo Cultural Funarte MG, entre […]

O post Kupan Puri participa de consulta do Ministério da Cultura sobre proteção dos saberes tradicionais apareceu primeiro em Semente Originária.

]]>
Kupan Puri, liderança do Coletivo Semente Originária, participou em Belo Horizonte da consulta pública promovida pelo Ministério da Cultura (MinC) para discutir a construção de um marco legal de proteção dos conhecimentos tradicionais, das expressões culturais tradicionais e das expressões da cultura popular.

A etapa mineira da consulta aconteceu no Complexo Cultural Funarte MG, entre os dias 27 e 30 de abril de 2026. Os dois últimos dias foram dedicados aos povos indígenas e reuniram representantes de diferentes povos e regiões para analisar a proposta apresentada pelo Governo Federal e apresentar contribuições a partir de suas próprias experiências.

A participação de Kupan integrou esse processo de escuta e debate, levando também para o espaço uma preocupação que atravessa a atuação do Semente Originária: a proteção dos conhecimentos indígenas não pode ser separada do direito dos povos de decidir sobre seus próprios saberes, práticas e formas de viver.

Um marco legal em construção

Segundo o Ministério da Cultura, a consulta faz parte da elaboração de uma proposta normativa destinada a ampliar a proteção jurídica dos conhecimentos tradicionais e das expressões culturais mantidas por povos e comunidades tradicionais.

Durante os encontros, foram realizadas plenárias e atividades em grupos de trabalho. Os participantes puderam conhecer a minuta em discussão, analisar seus princípios e apresentar questionamentos, sugestões e propostas.

Na etapa destinada aos povos indígenas participaram também representantes do Ministério dos Povos Indígenas (MPI), da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e da Articulação dos Povos e Organizações Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo (APOINME), além de integrantes do próprio Ministério da Cultura e outros participantes convidados.

Para o Coletivo Semente Originária, a existência de espaços de consulta é importante justamente porque qualquer política relacionada aos conhecimentos indígenas precisa considerar as próprias vozes indígenas desde sua formulação.

Mas participar da discussão não significa deixar de olhar criticamente para aquilo que está sendo proposto.

Quando proteção também exige limites

Após a consulta, Kupan chamou atenção para a sensibilidade do tema.

Em sua avaliação, apesar da disposição demonstrada pelos órgãos envolvidos na construção da proposta, parte importante das manifestações indígenas presentes apontava para um limite fundamental: proteger conhecimentos tradicionais não pode significar criar simplesmente mecanismos para autorizar sua exploração econômica.

Arte sobre a proteção dos saberes tradicionais discutida em consulta do Ministério da Cultura

A preocupação está relacionada a uma história mais ampla de apropriação de conhecimentos produzidos e preservados por povos indígenas ao longo de gerações, muitas vezes sem participação, reconhecimento ou controle dessas próprias comunidades sobre a maneira como esses saberes passam a circular.

Para Kupan, o debate precisa ir além da pergunta sobre quem pode comercializar determinado conhecimento ou em quais condições isso poderia acontecer.

É necessário discutir também o direito de simplesmente dizer não.

A possibilidade de proteger um saber passa, nesse sentido, pelo reconhecimento de que nem todo conhecimento precisa se transformar em produto, propriedade negociável ou oportunidade econômica.

“Nenhuma história está à venda.
O sagrado não tem preço.”

A fala resume uma questão que apareceu de forma recorrente durante a participação de Kupan na consulta: povos indígenas precisam ter condições materiais, políticas e sociais para preservar seus conhecimentos sem que a vulnerabilidade econômica transforme a ancestralidade em objeto de negociação.

Conhecimento tradicional não é apenas informação

Para os povos indígenas, conhecimentos tradicionais não existem necessariamente da mesma forma que uma informação técnica registrada em um documento.

Eles podem estar relacionados a plantas, modos de cuidado, alimentação, território, espiritualidade, narrativas, práticas culturais, língua, cantos, técnicas e relações construídas entre pessoas, comunidades e lugares ao longo de gerações.

Por isso, discutir mecanismos jurídicos para sua proteção envolve questões que ultrapassam propriedade intelectual ou compensação financeira.

Envolve autonomia.

Envolve consentimento.

E envolve reconhecer que determinados conhecimentos podem possuir sentidos comunitários, espirituais ou culturais que não podem ser reduzidos ao seu potencial de utilização comercial.

É justamente nesse ponto que a participação indígena na construção de qualquer marco legal se torna indispensável.

Presença Puri nos espaços de diálogo

A participação na consulta em Belo Horizonte também integra um processo mais amplo de presença e articulação indígena vivido por Kupan Puri nos últimos meses.

Como liderança do Coletivo Semente Originária, sediado em Conselheiro Lafaiete, Kupan atua na construção de espaços de memória, cultura, pertencimento, meio ambiente e direitos para indígenas que vivem na cidade e em municípios da região.

Essa atuação também dialoga com sua participação em iniciativas ligadas ao povo Puri, fortalecendo a presença contemporânea de um povo que durante muito tempo foi descrito, inclusive por documentos e narrativas históricas, apenas como parte do passado.

Estar em uma consulta sobre conhecimentos tradicionais é também afirmar o contrário.

Os povos indígenas continuam produzindo conhecimento, preservando memória, discutindo políticas públicas e decidindo como desejam relacionar seus saberes com a sociedade ao redor.

O debate sobre proteção, portanto, não diz respeito apenas ao que foi herdado das gerações anteriores.

Diz respeito também às gerações que estão aqui agora.

E às que ainda virão.

Sobre a consulta

Local: Complexo Cultural Funarte MG — Belo HorizontePeríodo: 27 a 30 de abril de 2026Etapa destinada aos povos indígenas: 29 e 30 de abril de 2026Iniciativa: Ministério da Cultura

Fonte oficial: Funarte / Ministério da Cultura — consulta sobre proteção dos saberes tradicionais

Este texto registra a participação direta de Kupan Puri na etapa mineira da consulta pública e utiliza como referência a publicação oficial da Funarte.

Registro da articulação

  • Atividade: consulta pública do Ministério da Cultura sobre proteção dos conhecimentos tradicionais.
  • Local: Complexo Cultural Funarte MG, em Belo Horizonte.
  • Período: 27 a 30 de abril de 2026; etapa indígena nos dias 29 e 30.
  • Participação: Kupan Puri, liderança do Coletivo Semente Originária.

Articulações relacionadas

O post Kupan Puri participa de consulta do Ministério da Cultura sobre proteção dos saberes tradicionais apareceu primeiro em Semente Originária.

]]>
https://sementeoriginaria.com.br/2026/08/24/kupan-puri-participa-de-consulta-do-ministerio-da-cultura-sobre-protecao-dos-saberes-tradicionais/feed/ 0
Reunião de fundação da Associação Semente Originária acontece em 9 de agosto https://sementeoriginaria.com.br/2026/06/21/reuniao-fundacao-associacao-semente-originaria-9-agosto/ https://sementeoriginaria.com.br/2026/06/21/reuniao-fundacao-associacao-semente-originaria-9-agosto/#respond Sun, 21 Jun 2026 00:57:04 +0000 https://sementeoriginaria.com.br/?p=1 O Semente Originária convoca seus integrantes para a reunião de fundação da Associação Semente Originária, que será realizada no dia 9 de agosto de 2026, em Conselheiro Lafaiete. Data, horário e local Pauta da reunião Pedimos pontualidade para o início dos trabalhos. A participação de todos os membros é fundamental para o fortalecimento e para […]

O post Reunião de fundação da Associação Semente Originária acontece em 9 de agosto apareceu primeiro em Semente Originária.

]]>
O Semente Originária convoca seus integrantes para a reunião de fundação da Associação Semente Originária, que será realizada no dia 9 de agosto de 2026, em Conselheiro Lafaiete.

Data, horário e local

  • Data: 9 de agosto de 2026
  • Horário: das 16h às 19h
  • Local: Rua Geralda Dornelas Pinto, nº 195, bairro São Marcos
  • Cidade: Conselheiro Lafaiete – MG

Pauta da reunião

  • Acolhimento e abertura;
  • Apresentação do Guia Retomar;
  • Explicação dos processos da Associação e da vida comunitária;
  • Organização de comissões e articulações;
  • Planejamento das próximas ações e atividades do Coletivo.

Pedimos pontualidade para o início dos trabalhos. A participação de todos os membros é fundamental para o fortalecimento e para os próximos passos do Coletivo.

Para quem não puder comparecer presencialmente, será disponibilizada uma reunião on-line para acompanhamento.

O post Reunião de fundação da Associação Semente Originária acontece em 9 de agosto apareceu primeiro em Semente Originária.

]]>
https://sementeoriginaria.com.br/2026/06/21/reuniao-fundacao-associacao-semente-originaria-9-agosto/feed/ 0