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Semente Originária participa da Semana Municipal dos Direitos Humanos de Conselheiro Lafaiete

Arte da Semana Municipal dos Direitos Humanos de Conselheiro Lafaiete com participação do Semente Originária

O Coletivo Semente Originária participa da primeira edição da Semana Municipal dos Direitos Humanos de Conselheiro Lafaiete, realizada entre os dias 25 e 28 de agosto de 2026, com atividades dedicadas ao diálogo, à diversidade, à cidadania e ao enfrentamento das diferentes formas de discriminação.

A participação do coletivo acontece em dois momentos da programação. O Semente Originária integra a abertura da Semana, no dia 25, junto a outros movimentos sociais e representantes da sociedade civil. No dia 27, Kupan Puri e Sara participam da roda de conversa “Povos Indígenas: território, identidade e o direito de existir”, no Solar Barão do Suaçuí.

Para o Semente Originária, ocupar um espaço municipal de Direitos Humanos com uma discussão específica sobre povos indígenas representa um passo importante para ampliar o reconhecimento da presença indígena contemporânea em Conselheiro Lafaiete e região.

Direitos Humanos também dizem respeito aos povos indígenas

A Semana Municipal dos Direitos Humanos foi instituída pela Lei Municipal nº 6.439/2025 e passou a integrar oficialmente o calendário de Conselheiro Lafaiete.

A legislação prevê ações educativas, culturais e sociais voltadas à valorização da diversidade, ao combate à discriminação e à promoção da dignidade humana, incluindo expressamente os povos indígenas entre os grupos que podem ser contemplados pelas atividades.

A primeira edição reúne movimentos sociais, instituições de ensino, representantes do poder público e sociedade civil em uma programação que aborda diferentes experiências e formas de desigualdade presentes no município.

Para o Semente Originária, a presença indígena dentro dessa programação ajuda a romper com uma dificuldade ainda comum: povos originários serem lembrados principalmente quando se fala sobre o passado, enquanto os direitos das pessoas indígenas que vivem hoje nas cidades permanecem pouco discutidos.

Direitos indígenas também são Direitos Humanos.

E essa discussão não está distante de Conselheiro Lafaiete.

Território, identidade e o direito de existir

Na quinta-feira, 27 de agosto, a programação dedica uma roda de conversa especificamente aos povos indígenas.

Com o tema “Povos Indígenas: território, identidade e o direito de existir”, o encontro contará com a participação de Kupan Puri, liderança do Coletivo Semente Originária, e de Sara.

A atividade também contará com apresentação do livro de Sara Etel.

A escolha do tema permite discutir questões que muitas vezes aparecem separadamente, mas que estão profundamente relacionadas.

Para os povos originários, território não se resume necessariamente à propriedade de uma área de terra. Ele pode envolver memória, relações comunitárias, ancestralidade, formas de cuidado, histórias familiares e modos próprios de construir pertencimento.

A identidade indígena também não desaparece simplesmente porque uma pessoa vive em uma cidade.

Esse é um ponto especialmente importante em regiões como Conselheiro Lafaiete, onde diferentes processos históricos de colonização, mineração, deslocamento populacional e apagamento documental contribuíram para tornar menos visíveis as continuidades indígenas.

Falar sobre o direito de existir, portanto, significa também discutir o direito de uma pessoa ou comunidade não precisar caber em uma imagem estereotipada para que sua presença seja reconhecida.

Os povos indígenas não existem apenas onde a sociedade aprendeu a procurar por eles.

Presença indígena em Conselheiro Lafaiete e região

O Coletivo Semente Originária nasceu justamente da percepção de que existe uma presença indígena na região que ainda precisa ser melhor conhecida, aproximada e considerada nas discussões públicas locais.

Conselheiro Lafaiete exerce uma função de centralidade para diversos municípios do entorno. Pessoas circulam pela cidade para estudar, trabalhar, buscar atendimento de saúde, acessar serviços públicos e realizar atividades comerciais.

Por isso, quando o coletivo fala sobre presença indígena em Lafaiete, a discussão naturalmente alcança também uma realidade regional.

Existem famílias com diferentes histórias, pessoas que mantiveram memórias de ancestralidade dentro de casa, indígenas pertencentes a diferentes povos e trajetórias contemporâneas de fortalecimento comunitário.

O objetivo do Semente Originária não é reduzir todas essas experiências a uma única narrativa.

É justamente o contrário.

É criar espaço para que elas possam aparecer.

Uma discussão que começa a chegar às instituições locais

A participação na Semana Municipal dos Direitos Humanos acontece em um momento de ampliação do diálogo do Semente Originária com instituições de Conselheiro Lafaiete e de Minas Gerais.

Recentemente, representantes do coletivo se reuniram com a Defensoria Pública do Estado de Minas Gerais para conversar sobre a realidade indígena da cidade e da região e discutir possíveis caminhos de atuação.

O coletivo também vem dialogando sobre memória indígena, políticas públicas, cultura, meio ambiente e formas de tornar mais visível uma presença que durante muito tempo apareceu pouco nos espaços institucionais locais.

Kupan Puri, por sua vez, tem participado de outras articulações relacionadas aos povos originários, entre elas encontro do povo Puri com a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), consulta pública do Ministério da Cultura sobre proteção dos conhecimentos tradicionais e atividades do 3º Fórum Brasileiro dos Direitos da Natureza, realizado em Ouro Preto e Mariana.

Trazer essa experiência para uma atividade realizada em Conselheiro Lafaiete ajuda a aproximar discussões nacionais e estaduais da realidade concreta do município.

Uma Semana construída por diferentes vozes

A programação da Semana Municipal dos Direitos Humanos não se limita à pauta indígena.

Durante quatro dias, diferentes grupos e movimentos participam de atividades relacionadas a saúde mental da juventude, população negra, diversidade, mulheridade, população LGBTQIA+ e outras dimensões dos Direitos Humanos.

A abertura, no dia 25 de agosto, reúne movimentos como AMUPD, Alforria, Ideias Coloridas, Kurumi, Semente Originária e Yandê, além de representantes do poder público e da sociedade civil.

A proposta de reunir diferentes experiências é importante porque não existe uma única forma de vivenciar desigualdade, preconceito ou ausência de políticas públicas.

Também não existe uma única resposta possível.

Construir uma cidade mais justa exige que pessoas historicamente pouco ouvidas possam participar das conversas que ajudam a definir prioridades e políticas.

O indígena também é cidadão desta cidade

Para o Semente Originária, participar da Semana Municipal dos Direitos Humanos possui também um significado simples, mas necessário.

A pessoa indígena que vive em Conselheiro Lafaiete é parte de Conselheiro Lafaiete.

Ela utiliza os serviços públicos da cidade.

Frequenta suas escolas.

Trabalha.

Forma família.

Produz cultura.

Participa da vida comunitária.

E possui o direito de ver sua existência considerada quando o município discute cidadania, educação, cultura, saúde, memória e políticas públicas.

Reconhecer a presença indígena contemporânea não significa criar uma separação entre indígenas e o restante da cidade.

Significa fazer com que uma parte da população que muitas vezes permaneceu invisível também possa participar da construção coletiva desse espaço.

A Semana Municipal dos Direitos Humanos oferece mais uma oportunidade para que essa conversa aconteça.

E o Semente Originária estará presente nela.


Sobre a participação

Evento: Semana Municipal dos Direitos Humanos de Conselheiro Lafaiete

Datas: 25 a 28 de agosto de 2026

Participação do coletivo: Coletivo Semente Originária

Abertura: 25 de agosto, às 18h30, no Solar Barão do Suaçuí

Roda sobre povos indígenas: 27 de agosto, às 18h30

Tema: “Povos Indígenas: território, identidade e o direito de existir”

Participantes: Kupan Puri e Sara

Local da roda: Solar Barão do Suaçuí, Conselheiro Lafaiete

Base legal: Lei Municipal nº 6.439/2025

Temas relacionados: Direitos Humanos, povos indígenas, território, identidade, presença indígena contemporânea, cidadania e políticas públicas

Registro na imprensa: Correio da Cidade — Semana Municipal dos Direitos Humanos promove diálogo, cultura e cidadania em Conselheiro Lafaiete

Lei Municipal: Lei nº 6.439/2025 — Semana Municipal dos Direitos Humanos

Registro da participação

  • Evento: primeira Semana Municipal dos Direitos Humanos de Conselheiro Lafaiete.
  • Período: 25 a 28 de agosto de 2026.
  • Participação do coletivo: abertura da Semana, em 25 de agosto, e roda “Povos Indígenas: território, identidade e o direito de existir”, em 27 de agosto.
  • Participantes citados: Kupan Puri, Sara e representantes de movimentos sociais e instituições locais.

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